Dia do Trabalhador: a busca por direitos, crescimento e melhorias

Certa vez Martin Luther King, líder do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos, disse: Se lhe pedirem para ser varredor de ruas, varra as ruas como Michelangelo pintava, como Beethoven compunha ou como Shakespeare escrevia. Na verdade, todo profissional quer fazer um excelente trabalho e também ser reconhecido por ele. É certo que as profissões do século XIX eram diferentes do que no século XX. Já, no século XXI o mundo teve uma grande mudança com o desenvolvimento das novas tecnologias, popularização da internet e a criação das redes sociais. Novas profissões surgiram e outras tantas deixaram de existir. A questão é que estas mudanças não vão parar, empregadores e profissionais devem estar preparados para as mudanças do mundo do trabalho nos próximos anos.  

Desafios no ensino

Em cada época da sociedade as profissões vão mudando, se transformando e se adaptando às novas realidades. Um exemplo disso foram as mudanças no mundo do trabalho durante a pandemia de coronavírus. As empresas e as pessoas tiveram que recorrer aos recursos da tecnologia para poderem trabalhar durante o isolamento físico.

Para o reitor da UniSul, professor Mauri Luiz Heerdt, haverá maior valorização do ensino digital de qualidade. “Podemos estar a qualquer tempo, em qualquer espaço, ou estar ao mesmo tempo em vários espaços. Na escola, isso ainda era restrito a um grupo de professores. No contexto atual, todos os professores tiveram que se reinventar”, afirma o professor Mauri.

Para o reitor, o grande desafio é a reconfiguração do próprio conceito de sala de aula. “Vamos conseguir trabalhar as novas exigências quando a própria empresa se transformar em sala de aula. Caso contrário, viveremos em eterno distanciamento entre aquilo que a empresa precisa e o que a escola ensina. Não existe mais tempo específico para estudar e outro para trabalhar. Formação e trabalho nos acompanharão a vida toda. Não há mais possibilidade de separar a tecnologia da vida das pessoas. Precisamos olhar a tecnologia a partir do bem que ela faz, do humanismo presente nela e da eficiência que ela pode proporcionar aos processos”, explica.

Desafios profissionais

Para estar preparado para as mudanças no mundo do trabalho nos próximos anos a melhor opção é investir no conhecimento. Porque essas mudanças refletem nos empregos gerados. Quando falamos em profissões do futuro, por exemplo, temos que ter em mente que muitas delas nem foram criadas ainda. O Fórum Econômico Mundial de 2020, em Davos, gerou uma lista de 96 profissões nas áreas de Saúde, Dados e Inteligência Artificial, Engenharia e Computação em Nuvem, Economia Verde, Pessoas e Cultura, que irão gerar 6,1 milhões de empregos.

De acordo com o Coordenador do Curso de Medicina da UniSul, Rodrigo Dias Nunes, a inovação e as novas ferramentas de telemedicina, webconferências e realidade virtual vão exigir ainda mais dos estudantes. “É preciso entender que a educação médica não tem um dia para terminar, o indivíduo que opta por seguir essa vocação assume uma responsabilidade constante e contínua de aprendizado e compartilhamento de informações e experiências”, ressalta o professor.

Profissões relacionadas a dados, à programação e ao desenvolvimento de sites e softwares também estão nesta lista. Para a professora dos cursos de Sistemas de Informação, Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Sistemas para Internet da UniSul, Vera Niedersberg Schuhmacher, os novos perfis profissionais são acrescentados diariamente em função da transformação digital, e os cursos ofertados pela UniSul contemplam as necessidades do mercado, incorporando assuntos inovadores e a perspectiva tecnológica.

“Essa combinação se reflete na forte absorção de nossos alunos pelas empresas de tecnologia. O maior desafio do profissional da área de TI será o entendimento de que as transformações e inovações proporcionadas pela tecnologia da informação exigem habilidades e competências técnicas, emocionais e comportamentais que precisam ser desenvolvidas por meio da educação continuada, ao longo da vida”, afirma a professora Vera.

Por que se comemora o dia do trabalho?

Nos séculos XIX e XX, com a era industrial e a criação da classe operária ocorreram muitas mudanças na forma de trabalhar. Funções automatizadas e com carga horária acima do que as pessoas podiam suportar, desencadeou grande insatisfação da população, culminando em movimentos dos trabalhadores, manifestações, greves e criação de sindicatos dos trabalhadores, de modo a defender os direitos dos operários.

No dia 1º de maio de 1886, em Chicago, na praça de Haymarket, no centro da cidade, uma greve para defender os direitos dos trabalhadores reivindicando uma jornada de oito horas de trabalho, resultou em violência entre operários e policiais e muitas mortes. Algumas fábricas impunham jornada de trabalho de 17 horas diárias, incluindo sábados e domingos. Muitas greves e conflitos ocorreram no mundo todo clamando por melhores condições de trabalho. A partir deste ocorrido, a data de 1º de maio se tornou símbolo para as manifestações e lutas por direitos trabalhistas. 

No Brasil, no Rio de Janeiro, em 1906, ocorreu o primeiro Congresso Operário Brasileiro.  Esse foi provavelmente o primeiro movimento organizado que uniu uma massa de trabalhadores que se conhece como proletariado. “Eles não tinham muita orientação marxista no sentido do socialista como os europeus. Eles defendiam mais no sentido do Anarquismo (anarco-sindicalismo) em que se defende que os operários são os donos da produção. É um movimente que fala que as comunidades que devem vencer sendo autogovernáveis. O anarquismo pregava um modo de vida horizontal, em que cada um cuida da sua própria vida e todos trabalhando para um bem comum organizado em comunidade. Desta forma, o primeiro congresso operário brasileiro reuniu um grupo de trabalhadores dos estaleiros e da indústria metalúrgica com o intuito de proclamar uma série de pontos, como buscar melhor integração entre o proletariado e buscar melhores condições de trabalho, que só vão ser conquistada tempos depois”, conta o historiador e professor da UniSul, Giancarlo Moser.

Os direitos trabalhistas no Brasil é uma história de mais de um século de trabalho e luta da classe operária e de todo o movimento de trabalhadores, sejam operários ou trabalhadores do campo. “Em linhas gerais os primeiros direitos trabalhistas em que o trabalho passa a ser reconhecido como uma atividade livre e remunerada ocorre na primeira Constituição da República em 1891, mas não traz muitos avanças ainda. Após algumas leis foram criadas no sentido de harmonizar os direitos dos patrões e dos trabalhadores da cidade. A partir 1930, com a gestão do presidente Getúlio Vargas que vai se ter uma série de legislações que preveem férias, jornada de trabalho de 8, 10 ou 12 horas, direito a descanso na semana. Somente em 1937 que foi criada a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), dando direitos aos trabalhadores que até então não eram comuns para o trabalho urbano”, complementa o professor Giancarlo.

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