Egressa conta com o poder dos cavalos para transformar a vida das pessoas

Ana Beatriz Tonelli estudou Fisioterapia na Unisul e hoje comanda um centros de equoterapia do Estado

Você já ouviu falar em equoterapia? É um método terapêutico e educacional que utiliza cavalos e serve para desenvolver a mente e o corpo, ajudando no tratamento de crianças e adultos com necessidades especiais, especialmente autismo e paralisia cerebral, entre outras. Em São José, na Grande Florianópolis, um importante centro de equoterapia funciona há quase dois anos comandado pela fisioterapeuta especializada em equoterapia Ana Beatriz Tonelli, egressa da Unisul, onde se graduou em 2011.

Mas por que cavalos? Ana Beatriz explica: “O passo do cavalo é análogo ao do homem. Assim que o cavalo caminha e há uma pessoa sentada sobre o dorso do animal, são gerados estímulos que sobem do quadril pela espinha e chegam ao cérebro. Isso acontece via neuroplasticidade, que é o processo de cicatrização do cérebro, quando são criados novos caminhos neurais”.

Dessa forma, ela diz, é possível conseguir grandes avanços em intervalos mais curtos. “Já tivemos casos de um paciente que tinha paralisia, não sustentava a cabeça e, graças à montaria no cavalo, começou a segurar a cervical e manter a cabeça sustentada. Uma grande conquista”, descreve Ana Beatriz, que comanda o Novo Horizonte Centro de Equoterapia desde abril de 2019.

“E aconteceu de recebermos um menino de quatro anos que não falava, não tinha diagnóstico, mas havia suspeita de autismo. Veio à equoterapia e na terceira sessão conseguiu falar o nome das cores amarelo, azul, vermelho. Os pais choraram, se emocionaram”.

Além da formação em fisioterapia na Unisul, Ana Beatriz também teve mais um ‘empurrãozinho’ da instituição em direção ao seu ofício. Por volta de 2016 ela levava seu filho Noah, então com cinco anos e que tinha dificuldade de fala, para frequentar o CTG (Centro de Tradição Gaúcha) em São José e ver os cavalos. Graças a um projeto de extensão de fisioterapia da Unisul que havia na época, ela teve a chance de colocar Noah para andar nos cavalos e fazer equoterapia. “Saiu de lá falante, coisa que nunca tinha visto até então.” Animada com o fato, Ana Beatriz passou a trabalhar como cocheira dos cavalos no CTG e ganhou em seguida a oportunidade de se especializar em equoterapia, ofício que ela pratica até hoje.

A técnica pode ser empregada no tratamento de síndromes, doenças genéticas, neurológicas, ortopédicas, musculares e clínico metabólicas; sequelas de traumas e cirurgias; distúrbios psicológicos e comportamentais; e distúrbios de aprendizagem e linguagem. Mas a maior parte dos casos tratados no Novo Horizonte é de indivíduos com paralisia cerebral e autismo.

Outra indicação positiva é para cadeirantes e pessoas com dificuldades de mobilidade, para quem a geração de estímulos via equoterapia também traz resultados expressivos. É importante que se diga que a equoterapia é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina e é mais bem indicada quando realizada junto com outros tratamentos, como fonoaudiologia, fisioterapia e psicologia, entre outros.

Para quem quiser visitar, o centro fica na rua Vidal Vicente de Andrade, 78, em São José/SC.

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