Ineficiência de infraestrutura rodoviária onera em 30% o custo do transporte em SC

Os estraves e congestionamentos da BR-101 de Santa Catarina, entre Criciúma e Navegantes, são as principais razões para que o custo do transporte no Estado seja elevado em 30%. Em outras palavras, isso quer dizer que a cada R$ 1 custeado na operação somam-se R$ 0,30 por quilômetro rodado.

Além disso, estas mesmas situações fazem com que o motorista leve até 9 horas para se deslocar de uma cidade à outra – do Sul ao Centro-Norte catarinense – trajeto que ele faria em cerca de 5 horas. Isso faz com que seja dobrada a quantidade de veículos neste trecho da rodovia e a jornada normal de trabalho (8 horas) extrapolada em apenas uma viagem (apenas de ida).

Estas informações são da Pesquisa do Impacto do Fluxo de Veículos na BR-101 Sul/SC em Pontos Críticos da rodovia para o TRC e Logística, contratada pela Fetrancesc com a Faepesul/Unisul. Os monitoramentos foram realizados a partir de 1º de novembro de 2019, entre 6h e 20 horas, de segunda a sexta-feira, com destaque para os dias úteis.

O custo da mão-de-obra do motorista também é elevado para a transportadora em virtude destes entraves. A empresa acaba tendo o custo fixo dobrado com o motorista, valor que poderia ser revertido em benefícios e consequentemente de qualidade de vida para o colaborador.

A Pesquisa relacionou esta realidade aos congestionamentos que ocasionam em uma média de velocidade de 39,79km/h. Em 115 dos 298 quilômetros estudados, que representam 28,60% do trajeto, o documento aponta que não se chega nem em 40 km/hora, enquanto os demais 183 km têm trechos com média de até 78 km/h.

Há trechos consideráveis em que a velocidade chega a ¼ da ideal e as transportadoras veem exigido até 2,66 vezes mais caminhões para transportar a mesma quantidade de produtos, intensificando os gargalos e congestionamentos.

Custos fixos e financeiros dobrados – Outro dado da Pesquisa é que o setor de Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), submetido às constantes restrições de trânsito, vê seus custos fixos e financeiros somarem 93,54% e amargar queda de oito vezes a oportunidade de investimento – ganhos ou perdas de oportunidades de negócios ou investimentos. Isso significa que a empresa poderia atender à mesma demanda, restando 7 vezes mais recursos para investimentos em outras atividades, a exemplo de benefícios revertidos em elevação da qualidade de vida dos colaboradores.

Em outras palavras, levando-se em consideração o custo por tonelada ou o custo por quilômetro rodado, as empresas do transporte de carga somam a perda de faturamento de 12,77%, equivalente à defasagem do preço. A interpretação de todos estes dados remetem ao fato de que uma transportadora deixa de fazer 490 viagens de 1 mil, ou seja, quase 50%, e, proporcionalmente, de transportar o equivalente ao valor médio de carga de cada viagem.

Impactos socioambientais – Outro importante impacto destes entraves da BR-101 entre Criciúma e Navegantes/SC, que geram a média de velocidade neste trecho inferior a 40km/h, é que, da distância de 298 km, 1/3 soma restrições importantes e revelam fortíssimo impacto negativo na operação para cada veículo pesado – condição que gera custo socioambiental muito relevante.

Qualidade de vida do motorista – Outro impacto ocasionado pelo trânsito intenso e velocidade inferior a 40km/h nesta região é o aumento do tempo de condução. Circunstância que afeta diretamente o comportamento dos motoristas em relação a direção, restringe a manobrabilidade e torna imprevisível cumprir qualquer programação.

Desgaste e consumo elevado – O desgaste de um caminhão rodando a 39,79km/h durante 1 hora é o mesmo que ele teria andando por 2 horas na velocidade (hipotética) ideal (80 – 88km/h), segundo a pesquisa. Entretanto, nos 115 km em que se trafega em marcha lenta, se terá 69 minutos (1 hora e 9 minutos) e um acréscimo de consumo de aproximadamente 50,16 litros de combustível. De carona vem o adicional indesejado: +10% no consumo de combustível, se comparada a velocidade média real de 78 km/h, desempenhada em alguns trechos e sendo limite máximo permitido por algumas empresas para a sua frota trafegar.

Contorno Viário reduz impactos – De acordo com a pesquisa, o Contorno Viário da Grande Florianópolis, obra vinculada à concessão para a Arteris Litoral Sul do trecho Norte da BR-101 em Santa Catarina, reduzirá parte destes impactos. A concessionária afirmou que, durante a temporada de verão de 2020, o tráfego de automóveis superou em até 60%. Da mesma forma, o documento contratado pela Fetrancesc evidenciou que, quando a obra estiver pronta, o cenário demandará outras soluções e ações.

Piores pontos de retenção – No trecho da BR-101 entre Navegantes e Criciúma, região que compreende 80 municípios – Foz do Rio Itajaí (13), Grande Florianópolis (21) e Sul Catarinense (46) – os pontos de maior retenção são o Morro dos Cavalos (Palhoça); no elevado da BR-101 no acesso a Santo Amaro da Imperatriz; na alça de acesso Norte à Palhoça, da mesma forma que a alça de acesso Norte à São José, no bairro Barreiros; alça 2 de acesso à Itapema; alça 2 de acesso à Balneário Camboriú; 1º elevado de entrada à Itajaí com Brusque – SC 486, conexão com a Rodovia Antônio Heil, sentido Norte; Ponte sobre o Rio Itajaí-Mirim, em Itajaí, sentido Norte; e o 3º elevado de entrada a Itajaí, conexão com a Rua Dr. Reinaldo Schmithausen, sentido Norte e referências para o sentido Sul.

VEJA A PESQUISA COMPLETA AQUI.

Texto com informações da Fetrancesc

COMPARTILHAR