Quem é Giulia, a estudante de R.I que está estampando as revistas de Moda?

Maria Giulia Dias se define como uma pessoa forte, perspicaz, determinada e um pouco teimosa. E foi exatamente essa teimosia que a fez conquistar um dos seus sonhos, o sonho de ser modelo. Com uma agenda corrida, cursando Relações internacionais na Unisul e Secretariado Executivo na UFSC, a estudante não tinha tempo para parar e pensar nesta possibilidade. No entanto, foi durante o isolamento social, em que o mundo parou por causa da pandemia de coronavírus, que tudo começou para ela. A estudante inquieta em casa, decidiu raspar o cabelo, e com isso nasceu a modelo.

A estudante de 22 anos desejava desde criança se tornar modelo.  Giulia conheceu o mundo da moda desde muito nova, pois seus pais são empresários no segmento do Skate, mais especificamente Street Style, moda de rua. A menina versátil, antes de se tornar modelo, morou um ano na Itália, pois queria conhecer a cultura do país. De volta ao Brasil, e por gostar de história, geografia e cultura de povos decidiu cursar a graduação de Relações Internacionais da Unisul.

Para Giulia, o mundo da Moda e a área de Relações Internacionais se conversam. “Eu acredito que exista relação, afinal a moda nada mais é do que um conjunto de opinião, comportamento, estilo de vida de um determinado indivíduo ou grupo e está muito presente nas culturas dos países; você pode saber muito sobre uma pessoa ou país ao ver como eles se vestem, como eles se portam, o que é muito interessante, pois a moda é presente em nossa sociedade há séculos, então conseguimos fazer uma busca histórica do que aconteceu em nossa sociedade através do padrão de comportamento e vestimenta”.

A estudante conta que sempre gostou de buscar conhecimentos sobre outros países, culturais, políticas e geográficas, quando descobriu o curso de Relações Internacionais se identificou na hora e quis cursá-lo. “Amei estudar sobre as Histórias das Relações Internacionais, as Teorias, Princípios da Política Internacional e Geopolítica. Quando entrei no curso queria seguir a área da Diplomacia, acredito que esse é o sonho de qualquer internacionalista, mas conforme fui conhecendo melhor o curso e as áreas de atuação, percebi que gostava de repassar o conteúdo aprendido, o que me incentivou a seguir uma carreira acadêmica”, conta Giulia.

O sonho de ser modelo

Giulia conta que desde criança sonhava em ser modelo e com a relação que teve com o mundo da Moda, em função da profissão dos pais, isso se tornou mais forte por um tempo. No entanto, a sua vida corrida não permitia espaço na agenda para realizar esse sonho. Com mais tempo em casa, em função da pandemia do coronavísrus, e mais tempo para se olhar no espelho, ela decidiu raspar o cabelo. 

“Este período está sendo uma caixinha de surpresas, comecei a pandemia com uma leve crise existencial e medo do que estava por vir, mas me acalmei e deixei fluir com mais leveza. Antes de toda essa situação eu tinha uma vida mais corrida, passava o dia fora envolvida com os cursos de graduação, e aos finais de semana trabalhava em um restaurante”, explica.

Para a estudante ficar em casa foi bem impactante, e a partir daí surgiram alguns questionamentos sobre algumas crenças limitantes internas. “Conversei com amigos e com a minha mãe, pois iria raspar o cabelo, para liberar essa energia acumulada e ver como me sentiria, afinal como disse a minha mãe, se não consigo me desapegar de um cabelo, quem dirá de outras coisas?”.

Giulia disse que ao raspar o cabelo ficou muito feliz com o resultado e que essa atitude lhe abriu uma porta no mundo da Moda. “Tive a oportunidade de entrar no casting da minha agência de Florianópolis, a A.D. Models, dirigida pela Andréa Damiani, que me apresentou para a minha agência de São Paulo, a Way Model; ingressando nessa carreira de modelo e colhendo bons frutos, mas confesso que nunca achei que teria oportunidades como modelo, sempre pensei que estaria no backstage. Hoje vejo que tenho muito potencial e gosto do que faço”, declara.

Neste mundo novo, a modelo conta que o trabalho que mais gostou até agora foi o primeiro de todos, para uma marca de lingerie catarinense, a Violet Intimate. “Esse trabalho foi bem revelador e libertador, porque estava recém passando por uma transição interna de pensamentos e crenças e o primeiro trabalho já foi de lingerie, então foi bem desafiador, estar fazendo algo pela primeira vez e um trabalho tão forte como aquele, pois me desprendi por inteiro de qualquer receio e medo com o meu corpo”.

A cicatriz

Giulia sofreu um acidente de trânsito aos 9 anos de idade, quando estava se mudando de Curitiba para Florianópolis. No acidente, sofreu alguns cortes, hemorragia interna, perdeu massa muscular de parte do abdômen. No instante do ocorrido, um médico estava passando no local e prestou atendimentos de emergência, o que evitou que algo mais grave acontecesse.

Inspiração

Giulia acredita que nada acontece por acaso, e sempre acreditou que a sua história poderia influenciar e ajudar muitas pessoas. “Eu quero fazer parte da construção de um mundo melhor, ser a mudança e agora que tenho recebido mais visibilidade e diversos relatos sobre como a minha história serviu de exemplo, tanto para homens quanto mulheres, acredito que sim, ela encoraja outras pessoas, e espero poder continuar influenciando de forma tão positiva como está acontecendo.

Nem sempre as pessoas possuem uma rede de apoio e uma mentalidade como a minha para conseguir lidar com toda essa situação, enfatiza a estudante. “Algumas pessoas acabam afetadas tanto psicológico, quanto fisicamente, e isso as impede de lidarem com suas marcas de forma mais positiva. Eu diria para eles terem calma e paciência, que é um processo muito lento e doloroso, mas que somente a pessoa pode fazer e passar por isso, que amor próprio é o melhor remédio e o tempo ajuda”, enfatiza.  

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